Gula Livresca e a sua moda nos tempos modernos

Era uma vez um rapaz chamado Bruno que queria fazer uma tese de mestrado original. Escolheu um tema geral e passou três dias inteiros a recolher os artigos científicos que lhe pareceram interessantes. Por não saber exactamente o que abordar dentro do tema geral, guardou tudo em pastas na sua meo cloud. Dias depois começou a acumular os livros sobre o mesmo tema geral. Foi então que comentou com o orientador que já conseguia fazer uma mini-biblioteca sobre o tema. O seu orientador ficou preocupado e percebeu que estava perante um caso de gula livresca. Falta referir que o Bruno é trabalhador-estudante e que quer ter uma vida social equilibrada com a sua vida académica. Informo que o Bruno não tem poderes mágicos, máquina de tempo ou alguém que lhe faça tudo o resto.

“começou a acumular os livros”

Agora pensemos noutra história, mas com a Isabel. A Isabel é empresária de sucesso e está a liderar um novo projeto para melhorar a forma como se ensina. Com a ajuda dos seus colegas decidiu dedicar um tempo a investigar “tudo o que está feito na área” e digerir a informação. Acho que nesta história fictícia podemos perceber que quando terminar, a sua informação estará desatualizada e o projeto ainda não estará pronto para funcionar. Muitos de nós, somos ou fomos (ou vamos ser) o Bruno e a Isabel.

Gula Livresca (phoyo by_Patrick Tomasso).

Quando queremos saber sobre um tema e fazemos uma rápida pesquisa aparecem 20 a 30 livros recomendados sobre o mesmo. Como é fácil ter acesso imediato a estas fontes, ficamos com uma lista real de leituras pendentes. Com novas exigências laborais e de investigação a lista de leituras cresce. Todos queremos estar informados e precisamos de gerir esta gula livresca.

É urgente usar (Ou, como fugir da Gula Livresca?):

  • método para organizar a informação (pergunta de investigação detalhada ou se for algo geral usar tags);
  • identificar o material de melhor qualidade (e ao nível de conhecimento em que estamos); reviews podem ser úteis;
  • selecionar pouco material para ler (1 livro geral, 3 artigos atuais para começar);
  • aprofundar o material de melhor qualidade (exemplo: factor de impacto da publicação);
  • entender que o conhecimento é um trabalho em progresso.

Só assim poderemos em tempo real ter trabalhos bem feitos, pensamentos organizados e conseguirmos realmente pensar na informação que nos chegou. É contrario à moda atual de “apanhar toda a informação”, mas lembrem-se essa informação pode ser consultada posteriormente.

Nota: De acordo com Raymond Quivy (em “Manual de investigação em ciências sociais“) a gula livresca “é encher a cabeça com uma grande quantidade de livros, artigos ou dados numéricos”.

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